Mais uma vez, a Assembleia Legislativa do Paraná se transformou em palco para ataques misóginos e machistas proferidos por deputado da extrema direita. Desta vez, o alvo foi a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, chamada de “bruxa” por um parlamentar bolsonarista inconformado com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A líder do Bloco Parlamentar PT-PDT, deputada Luciana Rafagnin, reagiu à fala do parlamentar e, em aparte à deputada Mabel Canto (PP), líder da bancada feminina, repudiou as ofensas lançadas contra a ministra.

Luciana destacou os desafios enfrentados diariamente pelas mulheres que ocupam espaços de poder. “Quando a gente luta para que as mulheres possam ocupar espaços, principalmente na política, sabemos que é necessário domar um leão por dia. Mas, nos últimos meses, nesta Casa, temos enfrentado muito mais do que isso”, afirmou.

A parlamentar ressaltou que episódios recentes evidenciam como a cultura machista permanece enraizada no Parlamento e na sociedade. Como exemplo, citou os ataques sofridos por Melina Fachin, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), agredida verbalmente por um desconhecido.

“Precisamos manifestar todo o nosso apoio à Melina, assim como à ministra Cármen Lúcia, que nos inspira ao lembrar que as mulheres ficaram caladas por dois mil anos, mas agora têm o direito e o dever de falar”, reforçou Luciana.

A deputada propôs ainda que a bancada feminina encaminhe uma moção oficial de apoio à professora da UFPR e à ministra do STF. Luciana também criticou o uso de palavras de baixo calão por parlamentares na tribuna, afirmando que tal conduta expõe despreparo para o exercício do mandato e desrespeita o ambiente legislativo.

“A política exige seriedade, responsabilidade e respeito, principalmente quando se trata da luta das mulheres por igualdade e dignidade”, concluiu.