
A ocorrência de seis feminicídios no Paraná em apenas 11 dias acende novamente o alerta para a violência contra as mulheres no Estado. O levantamento preliminar do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), reúne casos registrados em diferentes regiões e circunstâncias e aponta vítimas com idades entre 5 e 53 anos. O monitoramento de setembro ainda está em andamento e o número pode aumentar.
Para a candidata a deputada federal Luciana Rafagnin (PT), os dados mostram que o enfrentamento à violência contra as mulheres precisa ser tratado como uma política permanente, com prevenção, acolhimento, proteção e responsabilização dos agressores.
“Não podemos aceitar que mulheres continuem sendo mortas por serem mulheres. Seis feminicídios em apenas 11 dias são seis vidas interrompidas, seis famílias destruídas e um sinal de que precisamos fortalecer ainda mais as políticas de prevenção e proteção”, afirma Luciana.
Segundo o Lesfem, os casos registrados no período apresentam diferentes contextos, mas têm em comum a violência de gênero. Entre as vítimas está Glaucia Pinheiro Martins de Oliveira, de 33 anos, morta a facadas em Jandaia do Sul mesmo tendo uma medida protetiva contra o ex-companheiro. Em Araucária, Sebastiana Santos Fonseca, de 53 anos, também tinha uma medida protetiva quando foi assassinada.
Em Maringá, a médica Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, foi morta dentro do próprio apartamento. Em Londrina, a estudante Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, foi assassinada durante o trabalho, em um caso investigado após uma tentativa de estupro. O levantamento também inclui a morte de Rebeca Yasmin Cerdan, de apenas 5 anos, em Ramilândia, classificada pelo laboratório como feminicídio e investigada como vicaricídio.
Os casos reforçam, segundo Luciana, a necessidade de que a rede de proteção funcione de forma articulada e esteja presente em todos os municípios.
“Quando uma mulher pede ajuda, ela precisa encontrar uma rede preparada para protegê-la. Medida protetiva precisa ser respeitada, a denúncia precisa ser levada a sério e os serviços de atendimento precisam estar estruturados. Não basta agir depois que a violência acontece. Precisamos trabalhar para impedir que ela chegue ao extremo”, destaca.
Luciana é autora da Lei nº 21.617/2023, que criou salas de acolhimento nas delegacias para o atendimento de mulheres vítimas de violência, garantindo um espaço reservado e mais adequado para que elas possam buscar ajuda e registrar denúncias.
E da Lei nº 22.471/2025, voltada à proteção e ao acolhimento dos órfãos do feminicídio. A legislação amplia o olhar das políticas públicas para as crianças e adolescentes que ficam após a morte violenta de suas mães.
“Enfrentar o feminicídio também significa olhar para quem fica. Quando uma mulher é assassinada, não é apenas uma vida que é interrompida. Filhos, famílias e toda uma rede de relações são atingidos. Por isso, precisamos garantir proteção e acolhimento também para essas crianças e adolescentes”, afirma.