É que de 30 projetos ambientais financiados pela Petrobras em 2004, apenas três estão renovando o convênio com a estatal por mais dois anos! Um desses é o “Projeto Água e Qualidade de Vida”, desenvolvido pela Acesi e Fetraf-Sul

O Sudoeste do Paraná, mais uma vez, dá exemplo de organização da sua agricultura familiar.

É que de 30 projetos ambientais financiados pela Petrobras em 2004, apenas três estão renovando o convênio com a estatal por mais dois anos! Um desses é o “Projeto Água e Qualidade de Vida”, desenvolvido pela Acesi e Fetraf-Sul em 27 municípios da região, por meio dos sindicatos de trabalhadores rurais e dos sindicatos dos trabalhadores na agricultura familiar, ligados à Fetraf.

O trabalho do Projeto Água e Qualidade de Vida está sendo considerado uma das melhores experiências populares em sustentabilidade ambiental e, o melhor de tudo, é que ele é coordenado pelos próprios agricultores.

Ao todo, durante esses dois anos, o projeto beneficiou cerca de três mil famílias com a proteção de mais de mil fontes ou minas naturais de água. Também envolveu 108 escolas públicas e atendeu 12 mil estudantes da região, que realizaram diversas atividades escolares voltadas para o tema da preservação dos recursos naturais e sobre a forma como cada um de nós pode, no dia-a-dia, cuidar mais do nosso ambiente.

Há tempos, o núcleo sindical do Sudoeste vinha identificando um grave problema: o grande número de poços artesianos que são perfurados na região todos os anos. Em 2004, foram emitidas 14 outorgas, que resultaram na perfuração de mais de 100 poços novos nos municípios do Sudoeste só naquele ano. E, o pior, os relatos dos agricultores dão conta de que em locais onde se perfurou poços artesianos, muitas fontes históricas foram secando e até mesmo desaparecendo. O dirigente da Fetraf, Luiz Pirin, lembra que embora profissionais de saneamento e recursos hídricos não concordem abertamente com isso, o conhecimento prático dos agricultores mostra que é uma realidade e não demora muito, os estudos nas faculdades irão confirmar o que a população do interior já sabe. A perfuração de poços, dependendo da estrutura do lençol freático, pode, sim, puxar água das veias do entorno desses poços.

O técnico do projeto Água, Norbeto Citton, comenta que é necessário e urgente valorizar as minas naturais. Porque não são poucas as fontes capazes de abastecer toda uma comunidade e há propriedades rurais, inclusive, com maior vazão de água que a dos poços artesianos.

Portanto, cuidar das fontes, olhos-d’água, das sangas, córregos e rios, com a proteção da mata ciliar, é fundamental.

Segundo a coordenadora, em toda a região, do Projeto Água e Qualidade de Vida, Loeri Pasa, alguns passos já estão desenhados para a reedição dos trabalhos por mais dois anos. Loeri informa que além de continuar assistindo as famílias que já participaram do projeto, com especial atenção para orientar os agricultores sobre o saneamento básico da propriedade e a saúde da família, que melhora significativamente com o consumo de água de qualidade, o projeto tem uma demanda de triplicar o número de fontes protegidas. Ou seja, a previsão é de proteger mais 3 mil minas naturais de água em todo o Sudoeste.

Por fim, o Projeto Água e Qualidade de Vida acaba de lançar um DVD, com um documentário sobre o trabalho do projeto e a importância da preservação das fontes e dos recursos naturais. Foram produzidas, ainda, duas cartilhas: uma voltada para crianças de 1ª a 4ª séries e outra, para os grupos de base e agricultores familiares. Essa última, visa a capacitação na área ambiental.

O Água e Qualidade de Vida é um trabalho que orgulha o povo do Sudoeste, assim como a própria organização da agricultura familiar e as ações do movimento sindical na região.

Outra boa notícia: A deputada Luciana Rafagnin e o dirigente da Fetrafsul, Marcos Rochinski, participaram de audiência com o governador Roberto Requião nesta semana. Atendendo ao pedido da deputada e das organizações da agricultura familiar, como a Cresol e a Cooperhaf, Requião anunciou a liberação dos recursos de 2006 – um milhão e quatrocentos mil reais – do subsídio do Estado ao programa de Habitação Rural.

São estas, portanto, as informações do momento. Tenham todos um ótimo fim-de-semana.

Redação: Thea Tavares (MTb 3207-PR)

Contatos: – Loeri Pasa – Coordenadora do Projeto e do Núcleo Sindical da Região – (46) 3523 3396 – Norberto Citton – Técnico do Projeto – (46) 3523 3396 – Luiz Pirin – Dirigente da Fetrafsul e Presidente do Deser – (41) – 9673 9554 / 46-3523 3396 – Deputada Luciana Rafagnin – (41) 3350-4380 / 3350-4087 / 3350-4249 – Em Francisco Beltrão: (46) 3524-0939

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