Veja a entrevista do Jornal de Beltrão, publicada na edição de sábado (24/02), sob o título “Luciana acredita que PMDB estará na oposição e quer que PT defina logo seu candidato a prefeito” (pág. 5)
Veja a entrevista do Jornal de Beltrão, publicada na edição de sábado (24/02), sob o título “Luciana acredita que PMDB estará na oposição e quer que PT defina logo seu candidato a prefeito” (pág. 5).
A entrevista, que integra uma série, foi respondida por e-mail e o texto a seguir traz o conteúdo integral das respostas da deputada, editado pelo veículo para caber no espaço-padrão do quadro. O mesmo utilizado pelos demais entrevistados. Confira!
1. De 0% a 100%, qual o percentual de você ser candidata a prefeita em 2008?
Acredito que administrar Francisco Beltrão seja um sonho alimentado por muitos de seus filhos, comprometidos com a melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento de nosso município. É, sem sombra de dúvida, uma grande honra se colocar como candidato a liderar esse projeto. Porém, entendo e defendo que, neste momento, a prioridade para mim seja a de cumprir bem esse mandato no Legislativo e representar o povo do Sudoeste na Assembléia Legislativa. Já defendi isso em 2004, mas fui vencida porque lideranças do partido não comungavam dessa mesma idéia. A decisão sobre o nome do PT para o executivo de Francisco Beltrão ainda não aconteceu, mas já há um consenso no Partido de que precisamos renovar nossas lideranças e escolher novos companheiros ou novas companheiras para este desafio.
2. Quando o PT deve decidir seu “prefeiturável”?
É muito importante que o PT decida o quanto antes quem será seu candidato nas eleições municipais de 2008. Será bom para a pessoa que for escolhida porque terá mais tempo para se preparar e para trabalhar essa candidatura. Também, isso dará oportunidade dessa pessoa contribuir mais, se envolver e puxar desde já o debate sobre a construção do plano de governo para Francisco Beltrão. Além do quê, é justo com a população que terá tempo de conhecer melhor o candidato ou a candidata e os compromissos que essa pessoa abraçará. Temos bons nomes. Eu defendo, por exemplo, os de Eduardo Scirea, presidente do Partido no município, e Irineu Miller, nosso vereador, que faz um excelente mandato na Câmara Municipal.
3. O PT foi cabeça de chapa em 2000 e 2004, tendo o PMDB como vice. Se o PMDB quiser a cabeça, o PT pode indicar o vice?
Esse é um debate que ainda não aconteceu, volto a dizer. Mas a nossa prática partidária é a de abrir o diálogo com todos os partidos de oposição, fazer um debate aberto e franco. Juntos, vamos traçar as prioridades do município e o plano de atuação. Para mim, nesse momento, o mais importante é discutir um projeto de desenvolvimento para Francisco Beltrão e, com base nele, encontrar os parceiros dessas idéias e desse trabalho. Quem, como e de que forma ainda é cedo para dizer.
4. Em Beltrão, o PMDB está dividido, Neto na situação, Cleber na oposição. O que a deputada acha: o PMDB vai estar com a oposição (PT e PC do B) ou situação (PP, PTB, PPS, PFL e PSDB) em 2008?
O PMDB tem autonomia para definir suas prioridades, organizar suas bases e decidir o que for melhor para o seu futuro. Pela caminhada, de 1996 até hoje, o que posso dizer é que o PMDB sempre foi parceiro do PT nas lutas maiores e mais estratégicas de desenvolvimento, especialmente quando se trata das questões sociais, nas quais há muitas concordâncias. Veja o caso das últimas eleições, quando estavam em disputa dois projetos, duas visões de sociedade que eram radicalmente opostas: no segundo turno, o PT apoiou a candidatura de Roberto Requião para o governo do estado e o PMDB foi com o nosso Lula na eleição pra Presidência da República.
5. Um ponto positivo da administração Cordasso: Dar continuidade ao projeto da administração de Guiomar Lopes e Arni Hall de construção do Parque no bairro Alvorada, um local de lazer e de caminhadas para a população beltronense.
6. Um ponto negativo da administração Cordasso:
O trânsito, a violência urbana, são problemas de grandes centros que estamos enfrentando precocemente em Beltrão, pela falta de um planejamento municipal que pense a cidade e o interior a médio e longo prazos. A meu ver, faltou um projeto de desenvolvimento, envolvendo o município e que o integre à região, dando conta de responder às necessidades e, ao mesmo tempo, projetar o bem-estar da população. O que tem são obras pontuais que tentam dar conta apenas de demandas específicas e localizadas. Outra grande preocupação que temos dentro do PT diz respeito à juventude. É necessário, hoje, programas e projetos que contemplem mais as necessidades da juventude; que dêem uma atenção maior para os nossos jovens, tanto da cidade quanto do interior, visando gerar mais oportunidades, sejam de trabalho ou de incentivo à pratica de esportes e o lazer. Nós elogiamos a construção de novos ginásios, claro, mas junto com isso defendemos o aproveitamento desses espaços para se desenvolver projetos sociais mais abrangentes com as crianças dos bairros, como um incremento na formação cidadã de nossas crianças e adolescentes.
7. Na pesquisa, os candidatos da situação aparecem como favoritos. Qual sua avaliação sobre isto?
A disputa eleitoral em Francisco Beltrão sempre se deu entre grupos políticos e não em torno de nomes. Grupos esses que se constituíram a partir de divergências históricas da nossa região. Na próxima eleição não será diferente. Os candidatos serão identificados como de um grupo ou de outro e a vitória de um dependerá basicamente da conjuntura eleitoral do momento.
8. O fato de existir reeleição fragiliza a oposição?
Quem está no poder, é claro, tem mais oportunidades de mostrar seu trabalho e isso deixa a oposição um tanto em desvantagem.
9. Que tema a deputada vê como predominante para Francisco Beltrão e que estará no centro do debate no ano que vem?
Plano de desenvolvimento sustentável, com ênfase na questão ambiental. Temos graves problemas nessa área, como a falta de controle na destinação do lixo doméstico e a ausência de iniciativas do poder público que visem a recuperação e proteção das nascentes e, inclusive, a própria recuperação do leito do rio Marrecas. Acredito que vários temas tomarão conta do debate, mas a sustentabilidade ambiental, a segurança pública, a saúde e a educação ainda estão no centro das grandes necessidades hoje, até porque não vivemos isolados. Quando se pensa em Francisco Beltrão, por ser uma cidade-pólo regional, se pensa também nos municípios à sua volta e na integração destes. Alguns temas sobressaem-se nessa pauta como fruto de uma necessidade coletiva e sua solução deve, igualmente, ser construída em conjunto.
*** (foto: Thea Tavares – vista da cidade de Francisco Beltrão).