O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil aumentou quatro pontos em 2004 em relação a 2003. O resultado, que passou de 0,788 em 2003 para 0,792 em 2004, mantém o país entre as 83 nações de médio

09/11/2006 – 13:44

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil aumentou quatro pontos em 2004 em relação a 2003. O resultado, que passou de 0,788 em 2003 para 0,792 em 2004, mantém o país entre as 83 nações de médio desenvolvimento humano.

O IDH, medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é composto de quatro indicadores, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita (ou seja, a divisão das riquezas produzidas em um país pela sua população), a expectativa de vida, a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos de idade ou mais e a taxa de matrícula bruta nos três níveis de ensino.

O PNUD divulgou hoje (9) o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2006, com o ranking do IDH de 2004. Os relatórios sempre se referem ao IDH medido de dois anos antes.

Apesar da melhora do índice brasileiro, no entanto, o país perdeu uma posição na lista dos 177 pesquisados pelas Nações Unidas. Em 2003, o Brasil era o 68° da lista e, agora, é o 69°, porque foi ultrapassado por Belarus (antiga Bielo-Rússia). Quanto maior o número na colocação no ranking, menor o IDH do país.

A Noruega ocupa em 2004, pela sexta vez consecutiva, o topo da lista das 63 nações com alto desenvolvimento humano. O IDH mais baixo do mundo é o de Níger, na África, que tem 0,311.

O Brasil é antecedido no ranking do desenvolvimento humano pela República Dominicana e está imediatamente à frente da Colômbia. Esses países têm, respectivamente, IDH de 0,793 e 0,790.

Entre os países da América Latina e Caribe, porém, o país está atrás de 13 nações, embora seja importante ressaltar a dimensão continental do Brasil. México, Cuba, Uruguai, Chile e Argentina, por exemplo, têm desempenho melhor que o brasileiro. A Argentina ocupa o 36° lugar no ranking, com IDH de 0,863.

Mudança de cálculo do Pnud melhora posição do Brasil no IDH

O Relatório de 2006 sobre o Índice de Desenvolvimento Humano medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), registrou mudanças no cálculo de um dos indicadores do IDH, o que levou o PNUD a refazer as contas de outros anos pesquisados, como 1975, 1980, 1985, 1990, 1995, 2000 e 2003.

A taxa de matrícula bruta nos três níveis de ensino, ou seja, a relação entre a população em idade escolar e o número de pessoas matriculadas no ensino fundamental, médio e superior, incluíam os números dos programas de educação de jovens e adultos.

Esses dados eram medidos somente em 32 países, entre eles Brasil, Argentina, Reino Unido e Suécia, e agora foram excluídos para tornar mais precisas as comparações com os países. Com a metodologia aperfeiçoada, o Brasil avançou em duas das três dimensões do IDH: longevidade e renda.

A longevidade, expressa na esperança de vida ao nascer, subiu no Brasil de 70,5 para 70,8 anos de idade de 2003 para 2004. Renda, ou seja, o que as pessoas ganham ao fim do mês pelo desempenho de alguma atividade econômica, foi o item que mais colaborou para melhorar o IDH brasileiro. O PIB per capita passou de US$ 7.949 para US$ 8.195 no período. O dólar é usado para calcular a renda, como forma de eliminar as diferenças de custo de vida entre os países.

O desempenho em educação ficou estável. O item é avaliado por dois indicadores, a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos de idade ou mais e a taxa bruta de matrícula nos três níveis de ensino. As séries estatísticas mostram que a taxa de alfabetização ficou no mesmo patamar em 2004, 88,6%. Isso representa 11,4% de analfabetismo, segundo o relatório, o que coloca o Brasil na 62ª posição no ranking mundial.

Embora menor, o percentual da taxa bruta de matrícula, que foi de 85,7%, colocou o Brasil numa posição melhor no ranking. O país está em 40° lugar em matrículas efetivadas nos ensinos fundamental, médio e superior.

A ONU calcula também o Índice de Pobreza Humana (IPH) em 102 países em desenvolvimento. Este é um dos dois índices derivados do IDH, o outro é o Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Gênero (IDG). O Brasil aparece na 22ª posição do IPH, antecedido na lista mundial pela Turquia, Líbano e Tailândia.

O IPH do Brasil é menor que o do Uruguai e o da república africana de Mali. O índice de pobreza mede a privação em três aspectos: a curta duração da vida (quando as pessoas morrem antes dos 40 anos de idade), a falta de educação elementar (ou seja, o analfabetismo entre adultos) e a falta de acesso a recursos públicos e privados.

O IDG brasileiro, que leva em conta os mesmos indicadores do IDH, considerando as desigualdades entre homens e mulheres, deixou o Brasil como o 55° lugar da lista mundial. O ranking do IDG tem 136 países e o Brasil está à frente da Colômbia, mas vem atrás de Macedônia e Ilhas Maurício.

Relatório da ONU mostra que 90% de brasileiros têm acesso à água potável

A água foi o tema escolhido pelas Nações Unidas (ONU) para compor a segunda parte do Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 (RDH), divulgado hoje (9). O relatório estabelece uma relação entre o acesso à água e a pobreza, e faz um diagnóstico de como está a crise mundial da água. O Brasil, onde 90% da população têm acesso à água potável, é apontado no relatório como um dos países onde o índice equivale ao de lugares com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

O índice é semelhante ao de países com alto IDH, como Coréia do Sul e Cuba. O IDH do Brasil, de 0,792, é considerado médio.

Os dois indicadores, acesso à água e coleta de esgoto, evoluíram no Brasil de 1990 a 2004. No Brasil, 75% dos domicílios têm serviço de coleta de esgoto, segundo o RDH 2006, feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A proporção de brasileiros com acesso à água potável, por exemplo, aumentou, no período, 8%. Antes, a taxa era de 83%. Com isso, o Brasil ficou bem perto da meta de 91,5%, estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Os objetivos do milênio são uma série de metas socioeconômicas que os países que integram a ONU se comprometeram a atingir até 2015. Em 1990, o percentual da população que tinha acesso a serviços de saneamento adequado, de acordo com o relatório, era de 71%. Com os 75% atuais, o Brasil ainda precisa de 10,5 pontos percentuais para atingir a meta de 85,5% estabelecida para 2015.

Apesar do alto índice de acesso à água, o Brasil está no 74° lugar do ranking de 159 países onde o índice é medido para compor o RDH. A lista exclui os países com alto IDH. No ranking de saneamento, a posição brasileira é a de número 67, entre as 149 nações pesquisadas. Ficam de fora do levantamento as 24 com maior IDH.

O estudo das Nações Unidas indica que há uma relação muito próxima entre nível de pobreza, acesso à água e acesso a serviços de saneamento. No Brasil, esses serviços ainda apresentam profundas desigualdades, com parte da população desfrutando de uma qualidade de serviços próximo dos países de maior IDH e a maioria sem acesso à cobertura de esgotos.

As Nações Unidas definem a água como uma necessidade humana elementar e um direito humano fundamental. Sem água, não há desenvolvimento. “Quando se trata de água, existe o reconhecimento de que o mundo enfrenta uma crise que, se não for controlada, vai por em perigo o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e atrasar o desenvolvimento humano”, concluem os técnicos.

O relatório registra também que, em geral, os mais pobres pagam os preços mais altos pela água no mundo e as pessoas que mais sofrem com a crise de água e do saneamento são as mais carentes.

Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a água potável no mundo, por viverem em regiões secas ou pelo fato dos rios estarem poluídos. E cerca de 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento adequado. Como conseqüência, 1,8 milhão de crianças morrem, no mundo, em decorrência de problemas como diarréia e outras doenças provocadas por água suja e más condições de saneamento.

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