BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA DESACELERAÇÃO MUNDIAL, DIZ “ECONOMIST”
A revista britânica “The Economist” publica em sua mais recente edição um artigo em que diz que o Brasil está numa situação mais tranqüila para enfrentar um desaquecimento da economia mundial, desencadeado por uma possível recessão nos Estados Unidos.
A revista adverte, no entanto, que o país “está longe de estar imune ao que acontece no mundo” e parece estar se encaminhando para uma fase “menos benigna” em termos econômicos.
O artigo, intitulado “Desta vez, será tudo diferente”, diz que há pelo menos três fatores que favorecem o país num cenário de desaquecimento mundial – e que estavam ausentes quando ocorreram crises econômicas em 1998, 2001 e 2005.
Segundo a “Economist”, desta vez, o Brasil tem uma demanda de consumo doméstica forte, está mais integrado com os mercados mundiais, e depende menos do comércio com os Estados Unidos, e tem, além de uma taxa de câmbio flutuante, “um Banco Central que age de forma independente e transparente, publicando atas de suas reuniões com agilidade em seu site na internet”.
Além disso, a revista destaca o fato de o país ter acabado com sua dívida em dólares. “No passado, quando a moeda (brasileira) se desvalorizava, a dívida explodia, causando mais problemas.”
Hoje, “o investimento estrangeiro direto é forte, e o Brasil agora tem mais dólares do que deve, um feliz desdobramento”, acrescenta a revista.
O tom otimista prossegue até a conclusão do artigo: “se o Brasil for capaz de sustentar um crescimento firme sem ser desviado de seu caminho por eventos em outros lugares, o país vai parecer bem diferente dentro de dez anos”, diz a “Economist”.
Fonte (em inglês): http://www.economist.com/displaystory.cfm?story_id=10534864
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Granma http://www.granma.cu/portugues/2008/enero/jue10/3onu-p.html
NAÇÕES UNIDAS ADVERTEM 2008: ANO DE GRANDES DIFICULDADES ECONÔMICAS
POR ALBERTO D. PÉREZ — especial para o Granma Internacional
A crise financeira no Estados Unidos é uma ameaça para a estabilidade da economia mundial, segundo adverte um estudo da Organização das Nações Unidas intitulado Situação econômica e perspectivas mundiais 2008, recém-divulgado em sua sede em Nova Iorque.
A pesquisa da ONU vaticina um crescimento econômico global moderado, que diminuirá para uma média de 3,7; apesar de existir o “perigo evidente e atual de a economia mundial se paralisar”.
O estudo ressalta que na segunda metade de 2007 rebentou nos Estados Unidos a bolha de créditos hipotecários no setor da habitação, que se inflou com uma especulação excessiva dos mercados financeiros durante anos.
Como é sabido, centenas de milhares de famílias norte-americanas, designadamente, da classe média e da operária, perderam suas moradias, repossuídas pelos financistas, ao se verem impedidos de continuar abonando excessivos pagamentos mensais. Isso ainda continua acontecendo.
A economia norte-americana, também afetada pelas avultadas somas destinadas a operações militares no Iraque e no Afeganistão, começou a cair e quase todos os setores produtivos e financeiros são atingidos.
O alto preço do combustível é também um fator importante. A diminuição constante do índice Dow-Jones é prova da fraqueza econômica nos Estados Unidos. A crise nesse país se alastra pelo resto do planeta. Em face desta economia precária, muitas nações poderiam ser atingidas.
Da mesma maneira, a pesquisa da ONU frisa que a viravolta financeira estadunidense se alargou aos principais países da Europa e também, porém menos, ao Japão e a outras economias industrializadas.
Tal situação afeta, além do mais, os países em desenvolvimento. Embora mais de uma centena de economias nacionais conseguisse em 2007 um crescimento de 3% ou mais e um grupo considerável de países alcançasse 7%, a fraqueza da economia dos EUA e de outras nações desenvolvidas com fortes vínculos com a destes representam uma séria ameaça para esse avanço.
A pesquisa sublinha que as perespectivas econômicas para os EUA são bem mais pessimistas e é muito possível que a economia global desse país sofra uma paralisação virtual, sem outras nações desenvolvidas poderem substituí-lo.
A crise hipotecária nos Estados Unidos, enfatiza a pesquisa da ONU, está estreitamente ligada aos desequilíbrios financeiros globais que cresceram na década passada, e são um fator importante de desestabilização mundial.
A situação fica mais complicada pelo fato de que o sistema financeiro global usa o dólar como moeda principal da reserva e para transações internacionais.
Este estudo sugere um sistema de reserva baseado em diversas moedas nacionais. Um sistema financeiro multilateral bem projetado — afirma — deve criar as mesma condições para todas as partes e impedir uma concorrência injusta e assimetrias nos ajustes do intercâmbio monetário.