
Parlamentar se reuniu com secretário Marcio Nunes para discutir mudanças no CPRA que ameaçam avanços na agroecologia paranaense
A líder do Bloco da Agricultura Familiar e coordenadora da Frente Parlamentar da Segurança Alimentar e Nutricional se reuniu com o secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes, para questionar mudanças promovidas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-PR) no Centro de Referência em Agroecologia do Paraná (CPRA).
As alterações, denunciadas por organizações ligadas ao setor, teriam como consequência um suposto “desmonte” das pesquisas voltadas à produção leiteira agroecológica, à certificação orgânica e ao fornecimento de alimentos saudáveis para a merenda escolar estadual.
Segundo a deputada Luciana, agricultores e técnicos têm relatado preocupação com a mudança no foco das pesquisas realizadas no CPRA, que historicamente adotam uma abordagem holística — isto é, integrada, social e ambientalmente sustentável.
“Fui procurada por técnicos e agricultores que apontaram mudança no modelo de pesquisa. Isso afeta diretamente não só os produtores familiares, mas também políticas públicas importantes, como a alimentação escolar”, afirmou a parlamentar.
Presente na reunião, Leila Klenk, superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar no Paraná, também criticou as mudanças. “Essa reformulação representa um desmonte dentro do IDR-PR, especialmente na base da pesquisa agroecológica. O novo formato parece priorizar apenas a obtenção de produtos, ignorando o caráter transformador dessa prática”, alertou.
Uma nota pública de repúdio às mudanças implantadas foi assinada por mais de 1,2 mil pessoas entre produtores, pesquisadores e defensores da agroecologia e destaca que as mudanças colocam em risco ações estruturantes como a certificação orgânica e o fortalecimento da agricultura familiar.
O documento também ressalta que a nova diretriz ignora anos de avanços conquistados e prejudica metas como a oferta de merenda 100% orgânica nas escolas estaduais, prevista para ser alcançada até 2030.
Um dos grandes diferenciais do CPRA era a metodologia de pesquisa participativa, na qual os próprios agricultores ajudavam a identificar problemas e sugerir soluções. “Esse processo colaborativo foi fundamental para o sucesso da agroecologia no Paraná. Agora, tememos que ele seja substituído por uma abordagem técnica e distante da realidade do campo”, afirmou Leila.
Debate técnico
Um debate técnico entre representantes das Organizações da Agroecologia e do IDR-PR deve ser realizado nos próximos dias. A deputada Luciana Rafagnin anunciou que vai acompanhar de perto as próximas decisões e cobrar transparência no processo de reestruturação. “A agroecologia não é apenas uma forma de produzir. É um modelo de vida, de convivência com o meio ambiente e de justiça social. Precisamos protegê-la”, concluiu.
Acompanhou a reunião o coordenador do Núcleo de Projetos Internacionais (NPI) da Casa Civil, Filipe Braga Farhat e o diretor-presidente do IDR-Paraná, Richard Golba.