Líder do PT diz que só vai haver abertura dos bingos se o Congresso, por maioria absoluta, assim o decidir. O líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) informou nesta sexta-feira que a bancada do PT deve se reunir na próxima semana para debater a Medida Provisória que trata do fechamento dos bingos em todo o País. A idéia do líder é tirar uma posição da bancada sobre o tema. Não está descartada a possibilidade de o PT vir a relatar a matéria.

O líder analisou que o caso Waldomiro Diniz — ex-assessor da Casa Civil demitido no último dia 13 — já está sendo devidamente investigado pelos órgãos competentes e não deverá ocupar a pauta legislativa. “Creio que o trabalho do Congresso Nacional não se resume a esse caso”. O líder acredita que uma CPI para investigar o caso está perdendo força. Sobre a reforma política, Chinaglia considera difícil que ela seja aprovada em caráter de urgência. O assunto será tema de reunião de líderes da base aliada no dia 4. Antes disso, na terça-feira, dia 2, os líderes tratarão deste e de outros assunto com o ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo.

Chinaglia, depois de se reunir com o presidente da República em exercício, João Paulo Cunha, concedeu entrevista à imprensa, na Câmara. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Elucidar fatos

O que interessa à Nação no episódio envolvendo Waldomiro Diniz é a elucidação dos fatos. O trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público tem sido rigoroso, e demonstra que as investigações estão em curso. Por exemplo, já foi pedida a quebra de sigilos telefônico e bancário de aproximadamente 15 pessoas. E mais, se alguém pudesse imaginar que através da ação de Waldomiro pudesse haver qualquer tipo de compromisso do governo federal, do presidente Lula, ou de quem quer que seja com a questão do caça-níquel e do jogo do bicho, a MP que fecha os bingos por determinação do presidente da República prova que essa ligação rigorosamente não existe.

Pauta

Creio que o trabalho do Congresso Nacional não se resume ao caso Waldomiro. Temos questões que, independentemente da vontade de qualquer partido político, ocupam o cenário político e são de interesse da Nação. Como a Parceira Público-Privada, a própria MP dos Bingos, a reforma política, enfim, não há o que inventar do ponto de vista da pauta. A pauta existente é mais do que importante.

CPI dos Bingos no Senado

Não sei quantas assinaturas a proposta tem. Na minha opinião creio que o ímpeto de fazer a CPI foi bastante reduzido. A gente percebe isso pelo noticiário e aqui no Congresso Nacional. Se em algum momento alguém pudesse imaginar que o Waldomiro, enquanto assessor, tivesse interferido em ações do governo, já está mais do que provado que ele não interferiu. Eu já mencionei a decisão do presidente de fechar bingo – o que não deixa nenhuma dúvida – e vou citar ainda versão de que Waldomiro teria influenciado num contrato da empresa Gtech com a Caixa Econômica Federal. É oportuno lembrar que a Caixa Econômica, no governo Lula, tentou romper o contrato mas não foi possível; mesmo assim, conseguiu reduzir os custos. Portanto, que lobby seria esse onde a empresa beneficiada perde dinheiro? Então a essas questões soma-se a própria MP dos Bingos, mas o Congresso é quem vai decidir. Então, só vai haver abertura dos bingos se o Congresso, por maioria absoluta, assim o decidir. E aí será na forma legal.

Composição das comissões

Na Câmara, cada partido faz sua escolha de acordo com o tamanho de sua bancada e, na seqüência, pelos divisores. Então, não dá para antecipar mas o PT vai começar sua opção, seguramente, pela Comissão de Constituição e Justiça. É possível que tenhamos que avaliar a segunda opção. Se depender da posição da bancada teremos interesse na Comissão de Educação, porém isso pode ser alterado porque vamos procurar junto com os outros partidos da base governista definir um conjunto de comissões para não haver choques. A idéia é promovermos um trabalho mais sincronizado entre os partidos que compõem a base aliada do governo.

Manifestações pró-bingos

Faço uma diferenciação entre quem é dono de bingo, e que nesta condição pode não estar cumprindo a lei, e os que têm como única preocupação a sobrevivência. Então, os trabalhadores que pressionam e reivindicam, acho absolutamente legítimo seu movimento. Agora, vamos analisar a partir de um quadro maior porque o interesse da sociedade e de seu conjunto é que deve prevalecer. Quem tem poderes e legitimidade para identificar quais são esses interesses é o Congresso Nacional.

Reunião com João Paulo Cunha

Fomos prestar nossa homenagem ao presidente em exercício. O encontro coincidiu com chegada de alguns ministros e aí tivemos uma conversa informal, não era um fórum. Nesse clima se falou de política mas o presidente João Paulo foi mais tratado como presidente da Câmara. Tratamos das MPs a serem votadas. O projeto da PPP (Parceria Público-Privada) e projetos que estão no Senado e que já foram votados na Câmara. Um dos temas abordados foi a reforma política. Avaliamos nesse item que vai haver divergências entre os partidos que apoiam o governo.

Reforma Política/Urgência

Eu confesso que não sei se alguém vai propor a urgência para essa reforma. Por parte do PT, não há problemas. Eu avalio, por outro lado, que isso gera muita insegurança principalmente nos partidos que têm número menor de parlamentares e que ficam sujeitos a eventuais cláusulas de barreira. Creio que devemos conduzir o assunto de maneira que a gente consiga produzir a reforma. Nesse sentido, acho que o caráter de urgência pode acontecer, ou não. Nesse momento avalio que não deverá ocorrer.(AI)

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