Para saber o que sinto sempre que ouço que meu estresse pela dupla jornada é “fricote” ou, pior, quando você me pergunta se estou de TPM
Para saber o que sinto sempre que ouço que meu estresse pela dupla jornada é “fricote” ou, pior, quando você me pergunta se estou de TPM, quando na verdade a sobrecarga de trabalho me exauriu as forças.Vista minha pele… Para saber o que sinto quando dizem que para completar a cota pode ser “qualquer uma” de nós, quando na verdade somos possuidores da mesma capacidade organizativa e política. Vista minha pele… Para saber o que sinto quando dizem que não trabalho, quando na verdade não tenho é salário pelo meu trabalho doméstico. Vista minha pele… Para saber o que sinto, quando, menstruada, permaneço horas e horas trabalhando, muitas vezes sem um banheiro decente para usar e, ainda, na volta para casa sou obrigada a fazer as tarefas que fazem a vida seguir adiante. Vista minha pele… Para saber o que sinto quando fazemos o mesmo trabalho, mas meu salário é, em média, 30% menor que o seu. Vista minha pele… Para saber o que sinto quando vejo menos de 10% das cadeiras do Congresso Nacional sendo ocupadas por mulheres, quando somos mais de 50% da população. Vista minha pele… Para saber o que sinto quando uma reunião ou assembléia é marcado justamente naquele horário em que devo preparar o jantar, organizar as roupas e a limpeza da casa para o dia seguinte ou, ainda, acompanhar o andamento da vida escolar de nossos filhos. Vista minha pele… Para saber o que sinto quando ouço uma piada dizendo que o “sim” perdeu no referendo do desarmamento porque, caso contrário, as mulheres não poderiam mais dirigir, quando na verdade nossa direção é defensiva, portanto menos propensa a acidentes. Vista minha pele… Para saber o que sinto quando vejo a imagem de mulheres, ainda meninas, sendo colocadas como padrão de beleza pela mídia, enquanto a maioria dos homens “baba” sem saber que a verdadeira mulher está ali, completa, em seu lar. Vista minha pele…E saiba que apesar dos anos, apesar das diferenças, somos companheiras e que nunca é tarde para entender que o que nos diferencia é o que nos aproxima, portanto merecemos respeito! * * * Marisa Stédile e Sônia Boz* escreveram esta mensagem para a campanha desenvolvida pelo Setorial de Mulheres do PT/PR, alusiva ao 8 de Março – Dia Internacional da Mulher.