A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) e uma comitiva formada por estudantes, pais, mães de alunos, diretores, vereadores, Defensoria Pública e representantes das comunidades rurais se reuniram com o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), João Carlos Gomes, para solicitar a revogação dos pareceres que autorizam o fechamento das Escolas do Campo e cobrar a reabertura do sistema de matrículas nessas unidades.

Durante o encontro, o grupo apresentou um conjunto de evidências que apontam falhas e contradições no processo conduzido pela Secretaria de Estado da Educação (SEED). Entre os problemas relatados estão dados desatualizados, fotografias inverídicas, ausência de visitas técnicas e protocolos de cessação feitos antes da consulta às comunidades, comprometendo a legalidade do procedimento.

Outro ponto denunciado foi o bloqueio antecipado das matrículas, que estaria gerando insegurança nas famílias e obrigando estudantes a serem direcionados para escolas com salas superlotadas.

Segundo André de Souza, da Articulação Paranaense por uma Educação do Campo, aproximadamente 300 famílias seriam diretamente impactadas pelo fechamento das unidades.“O parecer não menciona a decisão das comunidades e ignora o impacto social, econômico e cultural que o fechamento dessas escolas causaria”, afirmou André.

A deputada Luciana destacou que a medida desconsidera o papel estratégico das Escolas do Campo na formação das novas gerações de agricultores.“O fechamento prejudica a agricultura familiar, que depende da permanência dos jovens nas comunidades e de uma educação que dialogue com a realidade do campo. É preciso respeitar a escolha da comunidade”, ressaltou.

O agricultor Gilmar Luiz Conrado Moraes, pai de dois alunos da Escola Estadual do Campo de Iolópolis, em São Jorge d’Oeste, relatou sua preocupação com a transferência dos estudantes para escolas maiores e superlotadas.“Há famílias matriculando seus filhos em salas com 40 ou 50 alunos. As matrículas foram bloqueadas antes mesmo de uma decisão oficial, criando insegurança e prejudicando as famílias. Essa não é a realidade que queremos para a educação do Paraná”, afirmou.

A fala mais comovente veio do estudante Luidy Cenique, de 13 anos, do 8º ano da Escola do Campo Palmital do 43, em Roncador, que destacou o impacto que o fechamento teria sobre sua vida e sobre a continuidade da produção agrícola da família: “Se eu tiver que me deslocar, a escola mais perto fica a 30 km. Tem outra a uns 20 km, em Mato Rico, mas é integral.

E se eu ficar o dia inteiro na escola, não consigo ajudar meu pai nem seguir as terras da família, que passam de geração em geração. Se eu não aprender e não puder suceder meu pai, de que adianta ele trabalhar e não ter quem cuide do que conquistou? A escola do Palmital me ajuda no meu futuro. Vocês podem achar que não é o mesmo ensino, mas pra mim é melhor, porque eu aprendo a escola e a lida ao mesmo tempo.”

O aluno Guilherme Dorigon Agostine, de 11 anos, do 5º ano da Escola do Campo de Iolópolis, também falou sobre a importância da escola em sua formação e no vínculo com sua comunidade.

Participaram da reunião: Ediloseia, diretora da escola Conceição Linhares, de Mangueirinha, vereadores Doca e Cabelo, de Mangueirinha, defensor público, Leonardo Canell e o advogado Cleverton Quadros.