
A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) manifestou profunda indignação diante das declarações do secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, feitas durante a Semana do Professor. O secretário afirmou que o decreto que retira a gratificação dos professores que adoecem “recompensa quem está em sala de aula” e admitiu conhecer casos de docentes que, para não perder salário, continuam trabalhando doentes ou remarcando consultas médicas.
“Ora, se o próprio secretário admite isso, ele confessa também a crueldade e a perversão do sistema que criou. Um sistema que força trabalhadores e trabalhadoras da educação a escolher entre a saúde e o sustento”, criticou Luciana.
A deputada lembrou que, neste mesmo ano, duas professoras morreram em sala de aula em Curitiba, e que um professor chegou a trabalhar internado em um hospital para não ter sua remuneração reduzida. “Isso não é valorização. Isso é desumanidade”, afirmou.
De acordo com dados citados pela parlamentar, mais de 10 mil educadores da rede estadual precisaram se afastar do trabalho em 2024 por problemas de saúde mental. “Em vez de acolher, cuidar e ouvir, o governo escolhe punir”, lamentou.
Luciana classificou as declarações de Roni Miranda como ofensivas à memória das professoras que perderam a vida, e aos profissionais que enfrentam burnout, depressão e cansaço extremo.
“O secretário fala como se fosse um mérito trabalhar doente, como se fosse um prêmio adoecer e continuar de pé, fingindo força, quando o corpo e a mente já não aguentam mais. Secretário Roni Miranda, trabalhar doente não é mérito. É desespero”, enfatizou.
Para a deputada, a fala do secretário escancara o retrato cruel da política educacional do governo Ratinho Jr., que, segundo ela, “trata os professores como peças descartáveis, e não como pessoas que merecem respeito, condições dignas e reconhecimento verdadeiro”.
Luciana encerrou sua nota expressando solidariedade à APP-Sindicato, que representa os professores e professoras da rede estadual.
“Deixo aqui o meu repúdio a um governo que pune em vez de proteger, e o meu apoio à categoria, que segue firme, com coragem e dignidade, na defesa da educação pública do Paraná.”