A imprensa brasileira sofreu algum tipo de ataque a cada três dias em 2023 e, desde 2012, foram contabilizados 26 assassinatos de profissionais da imprensa, a maioria por arma de fogo. É o que mostra o relatório Violação à Liberdade de Expressão elaborado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), divulgado na quinta-feira,4.
Agressões físicas lideram o ranking de violações, com ao menos 45 casos — 40% do total levantado. De 2022 para 2023, atentados cresceram em 50% e os casos de injúria tiveram um salto de 200%.
O diagnóstico destacou a cobertura da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 — quando bolsonaristas depredaram as sedes dos Três Poderes — como um episódio que desencadeou ataques aos profissionais de imprensa.

Nos dias seguintes ao 8 de janeiro, manifestantes golpistas ameaçaram, intimidaram e agrediram os profissionais de comunicação.
Entre as violências não letais que, segundo o relatório, tiveram queda estão a de intimidação (-56%), ofensas (-68%), ataques e vandalismos (-40%) e crimes de importunação sexual (-25%).
Ambiente virtual
O relatório verifica a diminuição nos ataques virtuais à imprensa, mas, ainda assim, o cenário é preocupante. De acordo com pesquisa da empresa de análise de dados BITES, houve uma diminuição nas agressões diárias pelas redes sociais. Em 2022, foi apurado um volume de mais de 1,2 milhões de conteúdos e, em 2023, a marca é de pouco mais de 1 milhão.
A Abert indica, ainda, que o Brasil ocupa a 92° posição num ranking de 180 países dos Repórteres Sem Fronteiras que avalia liberdade de imprensa.
No Paraná, entre 2019 e 2023, aumentaram os casos de violência contra jornalistas. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Estado se manteve entre as unidades da Federação mais perigosas para o exercício profissional e para a cobertura jornalística.

Foram registrados entre 2017 e 2021 mais de 60 episódios de agressões contra trabalhadores da imprensa paranaense, por meios e motivações variados, a maioria deles, em coberturas da pauta político-eleitoral.
Só em 2018, foram 22 casos, o que levou o Paraná ao segundo lugar no ranking dessa violência, só ficando atrás do Estado de São Paulo, que registrou 28 ocorrências.
Razão pela qual apresentei um projeto de lei que deu origem à lei 21393/2023 que institui a Semana de Conscientização sobre a Importância da Liberdade de Imprensa para a Democracia, a ser comemorada no calendário oficial do Paraná todos os anos na primeira semana do mês de abril, de forma a coincidir com as atividades e reflexões do Dia do Jornalista (7 de abril).
Precisamos defender a a liberdade de imprensa e criar leis para assegurar o livre direito de atuação dos profissionais de jornalismo. Sem essas garantias, a democracia está seriamente ameaçada e, em consequência, a sociedade como um todo.
Neste 7 de abril, dia do jornalista, não basta enaltecer a importância da data e da profissão. É preciso respeitar seus direitos.
Os jornalistas merecem mais: eles merecem nosso respeito!.