
Mais de mil pessoas participaram, no sábado (18), da celebração dos 39 anos da Organização das Mulheres do Sudoeste, em Francisco Beltrão. O encontro, realizado na Associação de Moradores do Bairro São Cristóvão, reuniu mulheres de toda a região em um grande dia de mobilização, reflexão, arte e construção coletiva.
Com o tema “Força e Memória: Transformando sonhos há 39 anos”, o evento contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, que destacou o papel fundamental das mulheres na transformação social, na produção de alimentos e na construção de um país mais justo e igualitário.
“Nós, mulheres, somos capazes de tudo,de fazer, de pensar, de produzir, de viver”, afirmou a ministra, ao destacar a importância do encontro. “Quando a deputada Luciana me disse que precisava vir a Francisco Beltrão, eu não tive dúvidas: era preciso estar aqui com vocês, celebrando essa história de luta e resistência”, completou.
Em sua fala, Márcia Lopes abordou temas como a promoção da equidade de gênero em cargos públicos, as ações do governo federal no combate ao feminicídio nos municípios e a valorização das agricultoras familiares.
“O Brasil saiu do Mapa da Fome, e isso se deve muito ao trabalho das agricultoras, que colocam comida na mesa dos brasileiros. Graças a vocês, mulheres que produzem, o país avança na luta contra a fome”, ressaltou a ministra.
A programação começou logo pela manhã, com uma corrida de rua que reuniu 39 mulheres, simbolizando a força, a saúde e a resistência das trabalhadoras do campo e da cidade. Duas jovens, representando o campo e a cidade, participaram do ato de abertura, simbolizando o futuro da Organização e a continuidade da luta das mulheres sudoestinas.
“O Sudoeste precisa da voz, da força e da visão das mulheres para continuar avançando”, destacou a deputada Luciana, reforçando que a luta por igualdade, participação política e justiça social segue viva e necessária.
Uma das idealizadoras do encontro, Luciana também fez um resgate histórico das conquistas alcançadas ao longo das quase quatro décadas de atuação da Organização.
“As mulheres conquistaram direitos como a licença-maternidade e a aposentadoria graças à luta que o Sudoeste ajudou a construir. É uma história de coragem e de transformação social”, afirmou a deputada.
A professora doutora Carolina Panis, da Unioeste, ministrou uma palestra sobre os impactos dos agrotóxicos na água e o aumento dos casos de câncer na região, trazendo dados preocupantes e reforçando a urgência de políticas públicas voltadas à saúde e ao meio ambiente.
O evento foi promovido pelo Fórum Regional das Organizações e Movimentos Sociais Populares do Campo e da Cidade, pela Assessoar e pelo mandato da deputada estadual Luciana Rafagnin.
Uma trajetória marcada por conquistas
Nos anos 1980, em meio à redemocratização do país e às lutas por direitos no campo, a Organização das Mulheres do Sudoeste nasceu da mobilização de agricultoras contra a exclusão social, o preconceito e o machismo.
Com o apoio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o movimento conquistou direitos históricos como a aposentadoria das mulheres rurais aos 55 anos, o nome da mulher no Bloco de Produtor Rural, a titulação conjunta da terra, acesso ao crédito e a licença-maternidade.
Em 1996, a organização protagonizou uma das maiores mobilizações femininas do interior do Paraná, reunindo mais de 10 mil mulheres em Francisco Beltrão para reivindicar a construção do Hospital Regional do Sudoeste — uma conquista que se concretizou anos depois, em 2010.
Desde então, a história da Organização segue como um legado de coragem, solidariedade e resistência, inspirando novas gerações a seguirem lutando por igualdade, soberania alimentar e justiça social.












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