O Projeto de Lei nº 331/2024 , que institui a Campanha de Incentivo e Valorização das Mulheres e Meninas na Ciência, de autoria da deputada Luciana Rafagnin (PT), foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná.

A proposta tem como objetivo principal estimular o interesse de meninas e adolescentes pelas diversas carreiras ligadas à pesquisa científica. Segundo Luciana, ainda há uma forte associação entre mulheres e profissões ligadas ao cuidado, o que reforça estereótipos de gênero e limita a escolha vocacional. “É preciso romper com a ideia de que certas áreas são masculinas ou femininas”, afirma.

A deputada destaca também a importância de iniciativas públicas que incentivem as mulheres a seguirem carreiras nas áreas de tecnologia, engenharia e exatas — campos historicamente dominados por homens. “Precisamos garantir que as meninas tenham referências e oportunidades iguais desde cedo”, ressalta.

A campanha será permanente e realizada durante todo o ano letivo em instituições públicas e particulares de educação básica e superior. Entre as ações previstas estão oficinas, seminários, palestras e debates escolares. Também está prevista a criação de um acervo digital com histórias de mulheres cientistas paranaenses, destacando suas trajetórias e contribuições para o avanço científico.

A ideia surgiu a partir de uma conversa entre a deputada e quatro estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), durante a edição de 2023 do Parlamento Universitário, uma iniciativa da Escola do Legislativo da Assembleia.

Luciana lembra que o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é celebrado em 11 de fevereiro, data instituída pela ONU em 2015 com o objetivo de promover a igualdade de gênero no campo científico. No entanto, para a parlamentar, essa luta não pode se limitar a uma única data. “É necessário assumir um compromisso contínuo e efetivo com a equidade de gênero na ciência.”

Estudos do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcelos (Ceensp) apontam que as mulheres ainda têm pouca representatividade em posições de liderança na área científica. Dados do Instituto Serrapilheira revelam que, embora as mulheres representem 57% dos estudantes universitários e 55% das bolsas de iniciação científica, apenas 36% recebem bolsas de produtividade do CNPq — destinadas a pesquisadores doutores com trajetória consolidada. Em escala global, cerca de 30% dos cientistas são mulheres.

Com a aprovação na CCJ, o projeto agora segue para análise em outras comissões antes de ser votado em plenário. A expectativa é que, se aprovado, o projeto contribua significativamente para a formação de novas gerações de cientistas mulheres no Paraná.