Da Assessoria de Imprensa da Fetraf-Brasil em Brasília-DF Uma mulher agricultora vai comandar a recém-criada Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Brasil – Fetraf-Brasil/CUT. A primeira presidente eleita

Da Assessoria de Imprensa da Fetraf-Brasil em Brasília-DF Uma mulher agricultora vai comandar a recém-criada Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Brasil – Fetraf-Brasil/CUT. A primeira presidente eleita da entidade é Elisângela dos Santos Araújo, 32 anos, agricultora familiar de São Domingos, no sertão baiano, e diretora de Relações Institucionais da CUT Nacional. Elisângela foi eleita na tarde desta sexta-feira, 25, durante o encerramento do I Congresso Nacional da Agricultura Familiar, realizado em Luziânia, Goiás. O Congresso reuniu por quatro dias 1200 agricultores familiares de 22 estados do país, além de 16 representantes de ONGS e organizações de agricultores de sete países (França, Bélgica, Holanda, Peru, Uruguai, Nicarágua e Argentina).

E havia muito a ser discutido. Temas mais urgentes, como Reforma Agrária, Política Agrícola, Relações Internacionais, e questões permanentes, como Meio Ambiente, Previdência e Saúde, Educação e Formação, Juventude, Gênero, Organização Social, e Organização da Produção. Mas o grande momento do Congresso foi mesmo a criação da Fetraf-Brasil/CUT, um processo que vinha sendo articulado há vários anos, agora coroado. A entidade nasce forte, representando 750 mil famílias de agricultores familiares que lutam por sua terra, produzem, industrializam, disputam mercados e novos espaços.

CAPACIDADE E SENSIBILIDADE

Vários fatores definiram a escolha de Elisângela Araújo, em chapa única, para ocupar a presidência da nova entidade. Segundo Altemir Tortelli, coordenador da Fetraf-Sul/CUT e um dos principais articulares da criação da Fetraf/Brasil/CUT, Elisângela reúne qualidades fundamentais para a função. “Tem capacidade comprovada por sua história de luta pela construção da CUT e de um novo sindicalismo na Bahia, é de um estado com representação muito grande na Fetraf-Brasil e, além do mais, é mulher, como a Fetraf”. Para Tortelli, a capacidade, sensibilidade e habilidades femininas vão ajudar a Fetraf a crescer rapidamente. “Com uma companheira conduzindo o processo, nós certamente teremos muita agilidade, capacidade e sensibilidade para fazer desta federação uma das maiores organizações da agricultura familiar da América Latina”.

Elisângela cresceu labutando nos campos de sisal do semi-árido baiano e conhece bem de perto a dura realidade da vida rural. “Trabalhei no sisal parte da infância e da adolescência. Trabalhava de manhã e à tarde ia pra escola. Nas férias, quando as outras crianças viajavam eu trabalhava ainda mais”. Uma infância difícil, que levou a menina a uma militância precoce. Aos 12 anos, já mergulhava de corpo e alma nos movimentos organizados pelas comunidades eclesiais de base. Daí para o sindicalismo e sua atuação na Fetraf-Ba e na CUT foi apenas um passo.

Elisângela assume a presidência da Fetraf-Brasil bastante otimista. Mãe de um bebê de apenas 19 dias, idealiza poder construir para ele um futuro em que não tenha que trocar o campo pela cidade. “Sou apaixonada pelo campo”. Para a presidente da Fetraf-Brasil, agora organizados em uma entidade nacional, os agricultores familiares vão se fortalecer e ter mais condições de lutar por melhores condições de vida e trabalho. “É um instrumento novo, um novo desafio de se construir um sindicalismo de liberdade e autonomia. Isso é para nós a construção de um projeto de desenvolvimento para o país e não vamos construí-lo sozinhos, vamos levar em conta todos os parceiros e atores que estão hoje no campo, organizando a agricultura familiar neste país”.

E qual é o primeiro grande desafio da Fetraf/Brasil? A presidente responde sem relutar: “a reforma agrária. Temos avançado muito pouco, precisamos ir mais longe”. E nisso ela está afinada com Altemir Tortelli: “A Fetraf-Brasil/CUT vai estar onde houver um agricultor familiar com terra ou sem terra. E esse será um dos nossos grandes desafios: Firmar uma parceria forte entre o agricultor familiar que tem terra e aquele que ainda luta por ela.”

AGRICULTURA FAMILIAR HOJE

A agricultura familiar é responsável por 10% do PIB brasileiro e 40% do PIB agropecuário. Oito em cada 10 estabelecimentos rurais são de agricultores familiares e produzem a maioria dos alimentos que abastecem a mesa do brasileiro. Sessenta e sete por cento do feijão, 31% do arroz, 58% das aves e dos ovos, 32% da soja, 52% da pecuária de corte, 84% da mandioca, 54% do leite, 49% do milho, 58% dos suínos são produzidos pela Agricultura Familiar. Este é também o setor que mais emprega, criando 7 em cada 10 empregos no campo.

Assessoria de Imprensa do congresso:

Carmensita Corso

(61) 9985-5671

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