Quando participei, entre novembro de 2002 e janeiro de 2003, da equipe de transição do governo de FHC para Lula, o Brasil tinha apenas US$ 16,5 bilhões de reservas e nossa dívida alcançava a cifra de US$ 165 bilhões. O risco-Brasil, que nossos adversários chamavam jocosamente de risco-Lula, chegou a 2.400 pontos naquele ano de 2002.
A grande notícia desta semana, destaque em jornais do mundo todo, é que o Brasil, pela primeira vez em nossa história, alcançou a condição de credor nas suas contas externas. Trocando em miúdos, nossas reservas internacionais de US$ 187,5 bilhões, no final de janeiro, superam todas as nossas dívidas externas, públicas e das empresas privadas, em US$ 4 bilhões.
Que mudança sensacional!!! Para um país com o nosso histórico, em que diziam que cada brasileiro já nascia endividado, com crises por dificuldades de pagamentos e falta de credibilidade externa, é uma fantástica boa nova. Isso facilita as atividades do governo e das nossas empresas aqui e lá fora. Com esse perfil, uma empresa que queira um empréstimo internacional ou que deseje emitir ações em Bolsa terá muito mais facilidade e taxas de juros menores.
Se contarmos apenas a dívida pública, o Brasil já era credor desde abril de 2006, mas agora somos credores mesmo considerando a dívida das empresas privadas. É claro que acabar com a dívida não é um fim em si mesmo. Importante é saber aproveitar o bom momento para consolidar nosso crescimento econômico, investir muito mais em infra-estrutura, continuar melhorando a distribuição de renda, estimular a capitalização e expansão de nossas empresas e enfim, ocupar nosso lugar de direito num mundo que enfrenta uma crise econômica.
É hora de mostrar a força e a importância do Brasil
Gleisi Hoffmann