Por Sidemar Presotto Nunes Comecei a escrever esse pequeno texto como resposta à descrença de alguns amigos frente à política e às questões políticas que, por ora, nos defrontamos

Por Sidemar Presotto Nunes

Comecei a escrever esse pequeno texto como resposta à descrença de alguns amigos frente à política e às questões políticas que, por ora, nos defrontamos. Faço-o, portanto, como um brasileiro e como um eleitor que se vê diante de tal dilema. Gostaria de dizer, inicialmente, que, como a maioria dos eleitores e dos militantes, também estou decepcionado com os diversos casos de corrupção que vemos estampados nos noticiários ultimamente.

Vários fatos, ocorridos nos últimos anos, nos desmotivaram, nos envergonharam e roubaram parte de nossos sonhos, que levarão um bom tempo para serem refeitos. Chegamos a acreditar, quase religiosamente, em super-heróis, messias e porta-estandartes dos “valores puros” e do compromisso social, mas, definitivamente, eles não existiam. Entretanto, apesar de tudo isso, não podemos tornar desinteressantes a política e, principalmente, os temas políticos. Precisamos e devemos, sim, contribuir para reinventar a política, transformar a economia e transformar as relações sociais, pois é disso que estamos falando. Por isso, não podemos nos abster de tomar posicionamentos.

Considero que há diferenças fundamentais entre os candidatos à Presidência da República, as quais ainda não foram colocadas em pratos limpos. Alckmin tem procurado se apresentar como oposição ao governo Lula e como guardião de uma suposta ética. Isso tem permitido que ele não apresente suas verdadeiras intencionalidades, ou seja, a política da qual se encarregará de executar: de um Estado cada vez menos presente e de uma economia cada vez mais regulada pelo mercado.

A idéia de um Estado Mínimo e regulador, está presente quando Alckmin diz, mediante um discurso fácil, que os brasileiros trabalham 4,5 meses por ano para pagarem impostos, quando propõe uma redução. No entanto, o candidato deveria dizer também o quanto desse tempo trabalhamos para pagar os juros da dívida contraídas nos 8 anos em que seu partido governou o país e que a maioria dos credores da dívida pública o apóiam. Também não diz quanto, quais impostos e quais serviços públicos seriam cortados. Ou haveria uma fórmula que permite reduzir impostos e aumentar os investimentos em infraestrutura econômica, sem reduzir os serviços públicos e os benefícios sociais?

A política que temos está longe de ser a política que desejamos, mas isso não serve para depreciá-la e nem para vangloriar a iniciativa privada, que é o que vem acontecendo (O mercado é bom e o Estado é ruim. Viva o mercado!). Pelo contrário, os interesses econômicos são o próprio poder e orientam a pauta política. Tentar entender a política sem a economia seria um grande erro.

Precisamos fazer com que os temas políticos se tornem interessantes, que todos compreendam que sempre há interesses sociais em jogo, mesmo quando pareça se tratar de assuntos meramente técnicos. Precisamos também sair da busca por resultados imediatos, mesmo que sejam eles que garantem a reprodução dos “políticos profissionais” na política, e construir um plano de desenvolvimento de longo prazo. Para que o País se alce a novos patamares na economia mundial se faz necessário altos investimentos em ciência e tecnologia, não somente em educação, pois ela sozinha pode significar apenas repasse de conhecimentos e não a sua produção. Senão estaríamos sendo adeptos da “Teoria da Dependência” de FHC, que pretende apenas manter uma inserção subordinada do País à economia mundial.

Considerando as contradições políticas desses anos de Governo Lula, podemos dizer que é certo que ele não representa tudo o que esperamos, mas um retorno ao governo do PSDB pode significar um retrocesso no que se refere à capacidade do Estado de fazer política. Isso sem falar da arrogância e do preconceito com que a direita brasileira tem tratado todos aqueles que querem uma sociedade mais justa, desqualificando nossas capacidades e nossos objetivos. Por isso, não podemos nos abster. Depois disso feito, a partir do que já conquistamos, precisamos urgentemente reinventar a utopia. Será a hora de arregaçar as mangas, transformar a política e transformar a sociedade em que vivemos. E isso não será tarefa de nenhum messias!

Sidemar Presotto Nunes – sidemarnunes@hotmail.com – É mestrando em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e técnico da área de Políticas Públicas do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser).

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