A estatística da exclusão educacional brasileira revela que cerca de 1,5 milhão de crianças estão fora da escola. A estatística da exclusão educacional brasileira revela que cerca de 1,5 milhão de crianças estão fora da escola. Os dados fazem parte do Mapa da Exclusão, apresentado nesta quarta-feira, pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, e pelo secretário de Inclusão Educacional do MEC, Osvaldo Russo.

O levantamento faz parte do programa Escola de Todos, que será implementado pela Secretaria de Inclusão Educacional (Secrie), do Ministério da Educação. Iniciado como um projeto-piloto, no município de Orobó (PE), o programa Escola de Todos vai cadastrar todas as crianças que estão fora da escola, até março de 2004, nos 100 municípios que integram o Fome Zero e nos 35 que aderiram ao programa Escola Ideal. O cadastro será realizado numa parceria entre a Secrie e as prefeituras.

Uma vez identificada cada criança, o programa dará início, na seqüência, às ações de inclusão educacional, que serão implementadas para garantir a permanência da criança na escola. Um dos instrumentos será o programa Bolsa-Família, ao qual se agregam diversos programas desenvolvidos pela Secretaria de Inclusão Educacional, como as ações educativas complementares e outros projetos desenvolvidos em parceria com as áreas sociais do governo federal.

“Reverter o quadro de exclusão escolar vai além de uma grande força-tarefa para matricular crianças em uma das 179 mil escolas públicas brasileira. É preciso muito mais do que uma ampla campanha de mobilização e/ou programas sociais de renda mínima como o Bolsa Escola e o Bolsa Família. Temos que identificar cada uma delas, os motivos familiares que as deixam fora da escola e, também, criar as oportunidades para que ingressem, permaneçam e tenham sucesso escolar”, afirma o Secretário de Inclusão Educacional do MEC, Osvaldo Russo.

Diagnóstico

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que montou o Mapa da Exclusão Escolar, com base em micro-dados do Censo Demográfico 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a clientela de sete a 14 anos em 2000, era de 27.188.217 nos 5.507 municípios existentes na época. Deste total, 1.495.643 crianças estavam fora da escola por abandono ou por não ter feito a matrícula, o que corresponde a 5,50% dos estudantes nessa faixa etária.

No levantamento feito por região, o IBGE constatou que o Nordeste ocupa o primeiro lugar na exclusão escolar. Lá, 614.861 crianças não freqüentavam a escola em 2000, o que corresponde a 7,14% dos alunos na faixa de sete a 14 anos; em segundo lugar vem o Sudeste com 385.948 estudantes excluídos (3,70%); em terceiro vem a região Norte com 279.665 excluídos, o que corresponde a 11,16% dos alunos na faixa etária; em quarto lugar a região Sul com 131.881 alunos fora da escola o que corresponde a 3,51%; e em último lugar o Centro-oeste com 83.188 alunos, o que significa 4,46%.

O levantamento inclui as crianças que, mesmo fora da estatística, pois estão matriculadas na escola, não freqüentam, não permanecem e não concluem o ensino fundamental. “A universalização do ensino básico não estará próxima se não conseguirmos resultados e qualidade”, pondera o diretor de Avaliação de Educação Básica do INEP, Carlos Henrique Araújo, acrescentando que, na região Nordeste, cerca de 75% dos alunos da 4a série não compreendem o que lêem.

O município de Orobó, escolhido pelo MEC para testar o projeto-piloto de identificação das crianças de sete a 14 anos que não freqüentam as aulas, tem 35 escolas de Educação Fundamental, sendo 33 delas localizadas na zona rural. Nas visitas realizadas pelo Ministério da Educação, de casa em casa, a realidade preocupou, e os motivos de abandono e exclusão escolar refletem a situação de outros locais do país. “Temos grande distorção série-idade em nossas escolas”, afirma a secretária municipal de Educação de Orobó, Josefa Martins Reis, que também estará presente ao lançamento.

“Como em outros municípios, há pobreza, desintegração familiar, alcoolismo. Nossos esforços ainda não são suficientes para romper o desinteresse dos pais pela escola, pelo futuro dos filhos”, lamenta a secretária. “Falta o trabalho com a família, para a geração de renda.” A prefeitura de Orobó gasta 26% de seu orçamento com a educação. São mais de 300 professores nos sítios rurais. Outros 18% da renda do município vão para a saúde.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *