NOTA DA CPT-PR

O corpo do sem terra Valmir Mota, executado por pistoleiros na tarde ontem (21.10) no acampamento do campo de experimento da multinacionalSyngenta Seeds, será enterrado na tarde de hoje, por volta das 16h. Valmir foi assassinado a queima roupa, com dois tiros no peito, por um pistoleiro, depois que cerca de 150 pessoas ligadas à Via Campesina reocuparam a área da empresa que é usada para cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e de milho. Essa área já havia sido ocupada em 2006, por 70 famílias, com o fim de denunciar à sociedade a ação ilegal da Syngenta a qual, com seus experimentos com transgenia, tem colocado a vida das pessoas e a biodiversidade em risco. A área fora desapropriada pelo governo estadual para se transformar num Centro de Agroecologia, mas em abril desse ano a justiça anulou a desapropriação.

A área foi reocupada na manhã de ontem e, mais tarde, por volta das 13h30min, um grupo de 40 pistoleiros fortemente armados se dirigiu ao acampamento e fez vários disparos contra as famílias, executando Valmir Mota e deixando outros cinco feridos, entre os quais Izabel do Nascimento Souza, que se encontra internada em estado de coma no hospital do município. No confronto, um pistoleiro também foi morto.

Sete pistoleiros foram presos e confessaram terem sido contratados pelo Movimento dos produtores Rurais (MPR), grupo que era contratado pela Syngenta para fazer segurança no local. O clima tenso na área já vinha sendo denunciado às autoridades, inclusive na audiência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), realizada nessa semana em Curitiba.

MILÍCIAS PRIVADAS ATUAM IMPUNEMENTE NO PARANÁ

O episódio da área da Syngenta Seeds explicita o fato de que milícias privadas são formadas e vêm atuando impunemente no Paraná há muito tempo, malgrado as denúncias de várias entidades de defesa dos direitos humanos. Grupos de pistoleiros, não raras vezes formados por ex-policiais e jagunços, têm espalhado violência, terror e morte no Paraná nos últimos anos. Esses grupos são organizados e mantidos pelos fazendeiros que, publicamente declaram a intenção de organização de “serviços privados” de segurança para realizar as reintegrações de posse e evitar ocupações de terras no Estado.

A omissão do Governo do Paraná e do poder judiciário faz com que essas milícias paramilitares ajam impunemente e coloquem o Estado no ranking dos mais violentos do país, dado o aumento constante do número de famílias violentadas, ameaçadas e intimidadas pelos grupos armados a serviço do latifúndio. Em 2006, foram 764 famílias, um aumento 23,22% se comparado com as 620 famílias em 2005, e de 48,92% na comparação com 2004. Estes dados fazem do Paraná o terceiro Estado quanto ao número de famílias vítimas das ações das milícias armadas.

A CPT, ao tempo em que lamenta mais mortes por conflitos no campo no Paraná, cobra agilidade do poder judiciário na punição dos responsáveis e, sobretudo, exige do governo do Estado uma ação imediata e enérgica com o fim de coibir a formação e atuação dessas milícias privadas que há anos vêm espalhando terror e violência no Paraná.

A terra da Syngenta Seeds é patrimônio do povo do Paraná e não pode ser profanada por cultivos experimentais que colocam em risco a vida das pessoas e do meio-ambiente e muito menos pela violência do latifúndio. Que as autoridades passem do discurso prolixo à prática efetiva e tomem medidas eficazes de combate à ação organizada e pública de fazendeiros e jagunços armados que passeiam às vistas grossas dos três poderes.

Curitiba-Paraná-Brasil, 22 de outubro de 2007.

Comissão Pastoral da Terra do Paraná

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Nota da Via Campesina à imprensa

21/10/07

Ataque de milicias armadas da Syngenta deixa mortos e feridos

Durante um ataque de uma milícia com cerca de 40 pistoleiros ao acampamento do campo de experimento da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, ás 13h30, de hoje (21), o militante da Via Campesina, Valmir Mota foi executado a queima roupa com dois tiros no peito, seis trabalhadores ficaram gravemente feridos e há suspeitas de que um pistoleiro foi morto.

Os feridos Gentil Couto VieraJonas Gomes de QueirozDomingos BarretosIzabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin, foram encaminhados para os hospitais da região. Izabel está em coma e corre risco de morte.

A área da Syngenta foi reocupada na manhã de hoje (21), por cerca 150 pessoas da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência no dia 18 de julho, deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste.

Na reocupação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda abandoram o local. Por volta da 13h30, um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada, uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados, desceu atirando em direção as pessoas que se encontravam no local. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que encontra-se hospitalizada gravemente ferida.

A Syngenta contratava serviços de segurança que atuavam de forma irregular na região articulados com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtoes Rurais (MPR). Uma das diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu durante uma operação da Polícia Federal no mês de outubro, onde foram apreendidos munições e armas ilegais.

Há indícios de que a empresa é contratada de fachada, e que na hora das operações são contratados mais seguranças de forma ilegal, formando uma milícia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a acampamentos na região. Na última quinta-feira (18), a denúncia da atuação de milícias armadas ligadas á SRO/MPR e Syngenta na região Oeste foi reforçada durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba.

A Via Campesina cobra da justiça a apuração do ataque, contra os trabalhadores do acampamento, que juntamente com o assentamento Olga Benário continuam lutando para transformar a área num Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e reforma agrária.

Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a área de experimento da Syngenta, também são contra os experimentos transgênicos no local, que vai contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e trazer prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.

Via Campesina

Informações á imprensa (41) 84119794 – Solange

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