A Assesoar, como uma associação de agricultores familiares, é uma entidade independente, que sempre pautou sua prática pela luta de autonomia. É, por isso, uma organização sem vínculo partidário

Manifesto da Assesoar

A Assesoar, como uma associação de agricultores familiares, é uma entidade independente, que sempre pautou sua prática pela luta de autonomia. É, por isso, uma organização sem vínculo partidário. Em defesa da autonomia da agricultura familiar e partindo de uma reflexão da atual conjuntura política, a executiva e equipe da Assesoar vêm a público manifestar sua posição.O processo eleitoral nesse segundo turno de eleição presidencial alcançou uma forte polarização entre direita e esquerda. Essa polarização traz consigo grandes riscos. Conforme o resultado das urnas em 29 de outubro, haverá grandes retrocessos no processo de democratização com sensíveis perdas de conquistas populares e o crescimento da pobreza e injustiça social. Qualquer que seja o juízo que se tenha do governo Lula – mais ou menos severo nas críticas -, entendemos que o que está em jogo para a direita é derrotar seu inimigo fundamental, hoje representado pelo governo Lula. Sabemos que todas as denúncias contra corrupção endereçadas ao atual governo – um tema que tomou quase toda programação dos meios de comunicação neste últimos dias de campanha – não é zelo pela ética. A direita sempre tolerou, participou e ganhou com todas as maracutaias da ditadura, do governo Collor, do governo FHC e de tantos governos locais. Essa ofensiva contra a esquerda, pretende sobretudo consolidar o projeto neoliberal, projeto que aparece claro nos temas centrais do programa de governo de Geraldo Alckmin: menos Estado, retomada das privatizações (Petrobrás, Banco do Brasil, Eletrobrás, Caixa Econômica Federal, BNDES), menos tributação, corte maior dos gastos públicos, maior abertura da economia, fim das regulações estatais, privilégio das relações comerciais com os Estados Unidos, mais livre comércio e Alca, mais flexibilização dos direitos trabalhistas (com a possibilidade da extinção do 13º salário e significativas reduções de benefícios previdenciários), políticas de segurança pública ainda mais repressivas, tratamento duro com os movimentos sociais. Para a agricultura familiar, uma possível vitória de Alckmin poderá significar o fim de importantes políticas sociais como o crédito para agricultura familiar, crédito habitação, programas de educação do campo, eletrificação rural, entre outros. Estes programas serão encerrados de um só golpe através da extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, medida que faz parte do já anunciado pelo “choque de gestão” do governo Alckmin. Alckmin dará, sim, ênfase ao Ministério da Agricultura, com ampliação das políticas de incentivo ao Agronegócio, com a liberação dos Transgênicos, mais monocultura, mais concentração de terra e do êxodo rural. Em que se pese os erros do governo Lula e as denúncias de corrupção, que devem ser apuradas com a punição de seus responsáveis, apoiar a reeleição de Lula neste segundo turno é defender a continuidade de políticas que começam a apontar para a transferência de riqueza às classes mais pobres deste país (como o Bolsa Família e Programa de Aquisição de Alimentos, entre outras). É dizer mais uma vez não às elites que querem de novo seus privilégios históricos, outrora representados pelos governos Collor e FHC. Sabemos que o processo eleitoral não representa a solução de todos os problemas, mas pode fortalecer ou enfraquecer as possibilidades de mudança para uma sociedade nova que buscamos. Nossa responsabilidade de cidadãos não se esgota com o voto. A consolidação da democracia depende de uma prática política mais ampla, que abra espaços de discussão permanentes acerca do projeto de sociedade que queremos para o país. Depende de uma nova cultura política, que, por sua vez, nasce do acesso de todos à educação pública de qualidade, que forme sujeitos políticos não mais manipuláveis por campanhas eleitorais, meras estratégias de marketing e desinformação. Entendemos que só através da retomada do debate político poderemos recompor os partidos de esquerda no país, vinculando-os de novo aos projetos dos movimentos populares. A decisão é sua, mas se você concorda com este manifesto, então passe adiante. Faça a sua parte como cidadão(ã) brasileiro(a) neste momento tão significativo para nosso país. Assinam: Avelino Calegari, Aores da Silva, Tobias Korb (diretores da ASSESOAR), Armando Henn, Angela Ruedell, Amaro Korb Rabelo, Andreia F. V. Soares, Juliano Oliveira Pinto de Souza, Eneide M. Jacobsen Ribas, Claydy Antonia Guancino, Elisangela Rosa, Fabia Tonini, Solange Von Onçay, Janete Fabro, Jaci Poli, Rogeria Pereira Alba, Serinei Grigolo, Valdir Duarte, Vilma Favero Marchiori, Vanderlei Dambros, Walter Marschner (equipe da ASSESOAR).

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