No dia 25 de junho de 2008, a Deputada Luciana Rafagnin completou os estudos de Pós Graduação em Políticas Públicas, pela Faculdade OPET. O Jornal Hora Popular, como forma de estender os parabéns e de contemplar alguns de estudos por ela realizado, entrevistou a deputada sobre o risco do crescente aumento do custo dos insumos agrícolas.
H.P. A FETRAF SUL, tem defendido a idéia que a alta dos insumos tem origem no processo de privatização, qual sua posição sobre isto?
Deputada Luciana: No Brasil, o conceito Neoliberal de Estado, ganhou força com a eleição de Collor de Mello, mas se fortaleceu no governo do PSDB com Fernando Henrique Cardoso. A indústria de produção de insumos agrícolas abriu caminho para as privatizações. A venda da Petrofértil em 1992, passou quase despercebida na época e parecia não afetar produtores e consumidores. No entanto, hoje, as conseqüências são visíveis, pois os preços dos insumos agrícolas não têm mais controle do Estado e são reajustados conforme o interesse das empresas. Acontece que a produção de insumos é estratégica, pois é base para o custo da produção de alimentos.
H.P – Isso só ocorre com os insumos, ou pode ocorrer em outros setores da economia ?
Luciana Rafagnin: Pode ocorrer em todos os setores. Como exemplo, podemos citar o caso da COPEL. Para o neoliberalismo, as empresas estatais de energia, deveriam passar para a mão de particulares a qualquer custo. O esforço é facilmente entendido, quando se recorda a ênfase que o Governo Lerner e o seu grupo ( PSDB, PFL, e PP) deu ao processo de privatização da COPEL. O grupo do Lerner era o instrumento de implantação das condições básicas do neoliberalismo no Paraná e, vender a COPEL, era questão de honra. Mas o povo do Paraná não aceitou a entrega do patrimônio COPEL para mãos de grupos da iniciativa privada. Hoje, uma boa pergunta a fazer é: Qual seria o preço da energia elétrica se a COPEL tivesse sido vendida?
H.P – E a PETROBRAS ? Luciana Rafagnin – Se não tivesse acontecido a interrupção do projeto FHC (PSDB), até mesmo a PETROBRÁS poderia ter sido vendida. É exatamente com o preço dos combustíveis que uma importante reflexão pode ser feita. No final do Governo do PSDB, o litro da gasolina já havia ultrapassado o valor de R$ 2.50 (dois reais e cinqüenta centavos). E quando isso aconteceu, o valor do barril de petróleo ainda estava abaixo dos 50 dólares. Hoje, o barril é comercializado mundialmente por mais de 130 dólares, e a gasolina ainda está na faixa de R$ 2.50. Portanto, o governo Lula segurou os preços dos combustíveis. É evidente que isso só foi possível, por que o governo brasileiro tem o instrumento PETROBRÀS nas mãos para intervir nos preços. Se dependesse da iniciativa privada, o litro da gasolina no Brasil poderia estar custando mais de R$ 5.00, (cinco reais), pois teria acompanhado a alta do preço do barril de petróleo no mundo.
HP – Nos últimos anos, houve um estancamento no processo de privatizações. Como isto ocorreu? Luciana Rafagnin – Esse estancamento aconteceu quando o povo elegeu Lula e Requião. Aliás, essa foi a forma encontrada pelo povo para dizer não a política de privatizações. O povo compreendeu a armadilha do neoliberalismo, que nada mais é que uma forma moderna dos países ricos espoliarem os países do terceiro mundo. Portanto, o neoliberalismo é produto da reciclagem do capitalismo. A Europa enriqueceu com o instrumento chamado colonização, explorando mão-de-obra e riquezas naturais das colônias. Os Estados Unidos se transformaram em potência com a dependência dos países pobres ao FMI. O neoliberalismo é o instrumento das grandes corporações econômicas para saquear os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
HP – No caso dos insumos, o que poderia ser feito? Deputada Luciana – Para segurar a tendência de aumento dos preços de insumos, é preciso que o Estado construa um instrumento de intervenção, que pode ser uma empresa estatal, ou um órgão ligado ao governo. Não podemos deixar a produção de alimentos ser afetada por interesses de grandes grupos internacionais. A crise mundial de alimentos afetará principalmente os países pobres. As entidades da agricultura familiar há tempo alertam para esse risco.
HP – O que significa para a Deputada Luciana a graduação universitária em Políticas Públicas?
Deputada Luciana – Sempre encarei a política como uma oportunidade de conhecimento. O diploma universitário é algo a mais, pois posso associar o conhecimento prático ao conhecimento científico.