Pessoas que fizeram parte dos movimentos de luta camponesa no Paraná, como a Guerrilha de Porecatu, na região Norte do estado no final da década de 40, e a Revolta dos Colonos do Sudoeste (1957), contarão suas histórias de vida

Curitiba, PR (23/04/2007) – Pessoas que fizeram parte dos movimentos de luta camponesa no Paraná, como a Guerrilha de Porecatu, na região Norte do estado no final da década de 40, e a Revolta dos Colonos do Sudoeste (1957), contarão suas histórias de vida e resistência em seminário promovido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) no próximo dia 25 de abril. É o caso de Antônio Mendonça Conde, que vem de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, especialmente para documentar seu depoimento e suas lembranças. Ele foi o primeiro presidente da atual Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), empossado em 1963, ex-integrante do PCB (o “Partidão”) de Mandaguari e, por essa razão, foi preso e torturado pelos militares com o Golpe de 64. Essa e outras narrativas estão retratadas no livro “A Foice e a Cruz – comunistas e católicos na história do sindicalismo dos trabalhadores rurais do Paraná” (foto), de autoria do professor da UFPR, Osvaldo Heller da Silva, que é um dos organizadores do seminário.

A Revolta dos Colonos do Sudoeste também vem sendo contada em diversas publicações e documentários. Somente na biblioteca da Assesoar – Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural –, em Francisco Beltrão, há mais de 20 registros catalogados, entre documentos, livros e peças de áudio-visual. Mas a entidade defende — e por isso apóia ações como a do projeto “Memória Camponesa” — que, apesar do que já foi realizado até então, ainda falta aprofundar e contar mais dessa história viva, pois também acredita que há vozes silenciadas, ainda esquecidas e muitos fatos guardados com as pessoas que viveram esse período. “É necessário, recuperar essa memória, não apenas com um olhar saudosista, mas para entender como aquele determinado momento histórico se relaciona com as atuais lutas sociais”, afirma o Presidente da Assesoar, Avelino Callegari. “A partir disso, é possível olhar para a região Sudoeste do Paraná, marcada significativamente pela presença de minifúndios, com um pouco mais de clareza sobre os avanços e as pendências desse processo histórico-cultural e pensar as políticas de desenvolvimento regional com base nessas avaliações”, reforça.

Zélia e Olivino GarbossaJosé SantolinIvo TomazoniAvelino de Cezaro Cavaler e Giácomo Trento, o popular “Porto Alegre”, são alguns dos colonos do Sudoeste que já confirmaram sua participação no seminário de quarta-feira (25/04), que acontecerá no anfiteatro 100 do Edifício Dom Pedro I da UFPR – Rua General Carneiro, 460 – 1º andar, das 8h30 às 18h30.

Confira a programação do seminário “Memória Camponesa”:

8h30 – Abertura 10h30 – Primeira mesa: A GUERRILHA DE PORECATU 10h30 – Segunda mesa: O SINDICALISMO COMUNISTA 14h30 – Terceira mesa: A REVOLTA DO SUDOESTE 16h30 – Quarta mesa: O SINDICALISMO CATÓLICO

Coordenador: Professor Osvaldo Heller da Silva

Realização: CERU-PR (Centro de Estudos Rurais e Ambientais do Paraná), Departamento de Ciências Sociais, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPR.

Parceiros: SEAB (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná) e MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário)

Apoio: Fetraf-sul, Fetaep, Assesoar, Ipardes, MST e CPT.

Jornalista: Thea Tavares (MTb 3207-PR) – (41) 9658-7588

Contatos:

– Prof. Osvaldo Heller da Silva – (41) 3360-5093 / www.deciso.ufpr.br/eventos/eventos.html / E-mail: osvaldo@ufpr.br / douglas_san@yahoo.com.

– Assesoar: (46) 3524-2488 / www.assesoar.org.br / assesoar@assesoar.org.br

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